"JOGO DE XADREZ – Uma Rainha em Xeque
06 maio 2011 by Roberto Toledo
No jogo da vida muitas vezes assumimos posições e formas que variam de acordo com a necessidade do momento.
Ao sairmos para as descobertas, somos tal qual peões que se põe a frente buscando encontrar caminhos que nos levem a atingir o objetivo, movimentamo-nos determinados a vencer todos os obstáculos, pois sabemos que no final teremos a recompensa da transformação naquilo que tanto sonhávamos.
Sem perceber, estes objetivos vão mudando com o passar do tempo e as exigências cada vez maiores, vão causando em nós verdadeiras metamorfoses obrigando-nos a agir e interagir de maneiras diferentes. Por vezes saltamos obstáculos, outras vezes os mesmos ficam intransponíveis, deixando-nos a mercê da situação trazendo um grande desconforto por não sermos, neste momento, senhores das nossas vontades. Sentimo-nos como um cavalo aprisionado, sem ter pra onde ir, nem pra onde fugir.
Ao longo do caminho percebemos que as nossas experiências vão ficando cada vez mais consistentes e isso nos faz nos abrir para o mundo, passamos então a ajudar indistintamente sem nos precisar das palavras ponderadas e de bom senso, distribuímos aos quatro ventos as nossas mirabolantes teorias de como viver bem e nos esquecemos que nos movemos sobre trilhos que nos conduzem diagonalmente, esquivando-se de seguir o caminho reto, ora num trilho ora noutro, vestimos a túnica dos bispos que se apegam a preceitos e preconceitos, movimentando à margem da vida cercado de parâmetros e padrões muito rígidos que acabam por engessar a mobilidade.
Achamos engraçados os momentos em que nos enclausuramos no alto da torre, o que nos faz olhar a vida numa posição destacada, acima de tudo, achamo-nos superiores. Andamos em linha reta, pra frente e para o lado, saltando grandes distâncias para vencer obstáculos e não nos damos conta de que a nossa rigidez somente nos consome, nos afastando das pessoas e de tudo o que mais gostamos, ficamos num nível tão alto que ninguém consegue nos alcançar. Como isso é chato! Onde queremos chegar com tanta arrogância, com nariz empinado? Isso não leva a nada. O que será que é preciso acontecer para enxergarmos isso? Somos iguais a todo mundo! Podemos estar momentaneamente numa posição de destaque, mas quem sabe o dia de amanhã?
Vale a pena refletir nisso!
Vivemos defendendo um rei que é incapaz de se garantir sozinho. Anda para todos os lados, mas vive perdido, atordoado, com medo de tudo e de todos, pois qualquer descuido pode levar tudo a perder. Todos querem protegê-lo, mas sua fragilidade o obriga a se esconder fazendo com que todos doem suas vidas por ele. Pobre criatura! Detém nas mãos o poder e não consegue vencer os seus próprios medos. Chega a ser uma ironia, do alto de toda a sua realeza, tudo o que consegue é ser mais infeliz do que os seus vassalos, talvez até mais fraco.
Frente a todo este quadro, surge a Rainha. Figura mágica! Dotada de encanto e nobreza nos gestos e atitudes. Está sempre pronta para defender o seu reino com garra e determinação. Caminha para todos os lados percorrendo grandes distâncias na busca e proteger o seu rei, pois neste jogo, um xeque mate seria fatal.
Mas chega o momento em que vemos nossa Rainha em Xeque. A vida não é um jogo de xadrez, apesar de muitas vezes se assemelhar a ele, somos todos peças importantes nesta estrutura onde cada um tem a sua devida importância, lutamos por um ideal e procuramos a todo custo sermos felizes.
Esta é uma conclusão sensata, desde que os recursos que usemos sejam dignos. Toda luta na busca de nos superarmos é bem vinda e salutar, entretanto quero salientar aqui uma figura ímpar, um estereótipo de mulher que qualificamos como Rainha.
Quem é essa figura soberba? Incansável e destemida, capaz de tudo para defender aqueles a quem ama?
- Alguém se arrisca? – pergunto eu.
Não é preciso pensar muito para responder esta pergunta. Somos todos prova viva disso. Esta guerreira que assume várias roupagens ao longo da vida para poder suprir as necessidades daqueles que através do seu ventre vieram ao mundo… MÃE!
Hoje coloco uma Rainha em Xeque!
Ao olhar a vida por outro ângulo, vamos encontrar na figura materna uma mulher, dotada de desejos, sentimentos, e necessidades que também merecem que sejam supridas. Mãe não é sinônimo de escrava, mas tem o singelo pseudônimo de Rainha.
Nos atalhos da vida, vemos que muitas vezes nos esquecemos de reverenciá-la com o devido respeito. Por isso quero lembrar a você, filho, que o seu papel na vida só foi possível porque ela o desejou um dia e viu o seu desejo transformar-se em realidade. Agora é o momento de retribuir este gesto com todo o amor que tem dentro de você.
Não existe presente que pague a extensão de um afago, um carinho, uma palavra de amor. Este é um presente que ninguém é pobre o bastante que não possa dar e nem rico o suficiente para desdenhar, isso vem do coração.
Diga-lhe: - Eu te amo! Obrigado por você existir na minha vida.
Vale lembrar o seguinte: Somos todos imperfeitos, cobrar dos outros aquilo que não somos não faz sentido. Se algo te magoou e fica difícil o convívio, agradeça a Deus em silêncio a oportunidade que ela te deu de viver, talvez isso fique mais confortável, mas não deixe de fazê-lo, deixe em paz seu coração.
Se ela já se foi, lembre-se dela não como alguém que não está mais presente na sua vida, mas sim como alguém que compartilha contigo de cada momento de sua vida, que fica feliz com cada vitória que alcança e te fortalece nos momentos difíceis. Busque na páginas de sua memória, as lembranças felizes que passaram juntos e enderece a ela um pensamento de carinho e gratidão.
Mas se ela está aqui, bem ao alcance de suas mãos, não desperdice a oportunidade que esta tendo, neste instante e viva intensamente tudo o que puder ao seu lado. Amanhã é outro dia, nós vivemos no presente e o presente é agora.
Vamos todos dar um xeque mate a tristeza, ao pesar, ao sofrimento e realçar e valorizar a alegria, a felicidade e o amor que temos dentro do nosso coração e oferecer o que temos de melhor dentro de nós que é o nosso amor incondicional de filhos.
Parabéns a todas vocês que são mães
Feliz dia das Mães!
Dedico esta matéria a minha mãe Dorvalina A. Toledo pela passagem do seu aniversário de 91 anos de idade. Com amor. "